Aquele laranjal

Posted: Março 30, 2012 in Uncategorized

Ricardo Cruz

Foi há 29 anos que, provavelmente, ouvi falar pela primeira vez na barragem… Claro que em ’82, acabado de nascer, ainda não sabia o que era uma barragem!

Ainda mal sabia andar e já eu ia à Califórnia. A principio montado numa burra (e atenção, não era uma burra qualquer, era a burra do tio João – onde ela ia sozinha, poucas outras conseguiam lá chegar) e depois a pé percorri todos aqueles carreiros sinuosos que levam ao laranjal. Hoje em dia, é mais fácil. De 4×4 apenas se demora 20 minutos a chegar a este sítio esquecido.

A Califórnia (do dicionário: caverna profunda; dos meus avôs: Cali – quente, Fórnia – forno) é um sítio como não há outro igual. Mesmo estando situada no coração transmontano, lá não há frio! O micro clima proporcionado pelo vale do rio Tua e pelas escarpadas encostas a Este não deixam os gélidos ventos de Espanha gelar estas paragens. É aí que se colhem as melhores laranjas do mundo (dizem… Eu não sei, ainda não as provei a todas… Mas sem dúvida, estas são as melhores que já comi!).

Este vale é diferente! Aqui, as coisas amadurecem com um mês de antecedência – clima mediterrânico o tanas, aqui temos o clima “Californiânico”!

No verão, semanalmente, calha-me a mim ir regar as laranjeiras. Já assim é à vários anos…. Este ano vai ser diferente. Onde antes o barulho do silêncio e a calmaria da bicharada reinavam, ouvem-se agora explosões, derrocadas, martelos pneumáticos e camiões! E o pior, nem é o barulho… é o que estão a fazer!

O que eu mais gostava, era quando o comboio passava pela terceira vez! Naquela altura ninguém tinha telemóvel, e poucos eram os que traziam o relógio para o campo. Quando o comboio passava pela segunda vez, começava a salivar e a apressar o que quer que estivesse a fazer porque sabia, que depois de uma volta na estação do Tua, ele voltava a passar para Mirandela e era a hora da merenda!

Vinte e nove anos a ouvir falar da barragem sem nunca acreditar que tal podia ser possível…

A Califórnia era minha, foram os meus avós que a fizeram, pedra a pedra! Agora é da EDP… … não consigo escrever mais…

Comentários
  1. […] foram oito dias em que experimentámos o carinho de tantas outras pessoas: vizinhos que nos traziam a sua força e admiração, a sua comida e o seu vinho, a sua música e […]

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