EscravaTua

Posted: Março 13, 2012 in Uncategorized

Matar trabalhadores para matar os rios

Francisco, participante no ACTUA

Em Foz-Tua, as obras de destruição do vale do Tua avançam noite e dia: 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem interrupções.  A ganância apressada de levar a construção da barragem até ao ponto sem retorno é a fuga assustada ao número crescente de pessoas que se insurgem contra este crime. E se isso implicar menos segurança, mais atropelos à lei e maior exploração de seres humano, assim seja.

Três trabalhadores já morreram, na sequência de uma derrocada em Janeiro passado. Já houve vários feridos graves. Fala-se em pelo menos 10 acidentes desde o início dos trabalhos em Abril. Fala-se de operadores de máquinas que se recusaram trabalhar pelo perigo que correm.

Felizmente, o tempo atípico deste Inverno tem protegido quem ali trabalha. “Se tivesse chovido, muito mais gente teria morrido”, é a certeza partilhada por todos. As explosões acontecem dia e noite, com os rebentamentos a deixar as pedras soltas à superfície. As derrocadas vale abaixo matam trabalhadores, enquanto que os escritórios com ar condicionado dos engenheiros e responsáveis da obra se mantêm bem lá em cima.

Com a escassez de trabalho na região do Douro e de Trás-os-Montes, aceitar ou não um trabalho destes deixa de ser uma opção a tomar livremente. Muitas pessoas da região vêm-se agora na ironia de serem exploradas dia após dia para construir a barragem que vai destruir o seu próprio vale. Na barragem da EDP, uma pessoa trabalha doze horas por dia, para ganhar trinta e seis euros. Ganha três euros por hora, para arriscar a vida. Em vários casos, nem contrato de trabalho existe.

Tudo pela obcessão pelo crescimento económico da sociedade capitalista. Tudo pela obcessão pelo lucro de empresas como a EDP, a Mota-Engil ou a China Three Gorges. A barragem de Foz-Tua não é só um atentado brutal contra a natureza – é mais um trágico exemplo da escravatura dos tempos modernos.

Fica o testemunho de um ex-trabalhador que passou pelo acampamento Actua:
“Estive lá nove dias, a trabalhar sem qualquer contrato. Se morresse ali, era como se não existisse. Estive nove dias a trabalhar e não recebi nada. Há malta que tem trabalhado um mês e meio sem um contrato de trabalho.
Uma vez caiu-me uma pedra a três metros de distância. Não estava para arriscar a vida para uns filhos-da puta fazerem dinheiro.
Para cortar despesas, vários fiscais foram despedidos. Só tenho pena das pessoas que vão morrer…
Trabalha-se 12 horas por dia, para ganhar 3 euros por hora. Não se paga mais por horas extra, nem por trabalho de noite, para eles é tudo igual. Nuna voltaria a trabalhar para aqueles gatunos.”

Comentários
  1. krasiva diz:

    Era de apresentar uma denúncia na ACT, não?

  2. Antonio Pinto Correia diz:

    governo desgraçado, de mão estendida, (vende-se) vende o que temos de melhor. não se cansa de tentar encontrar quem dê mais. Tem medo de enfrentar quem manda! agora que já teve um aviso! foi só um secretário de Estado! para a próxima talvez um ministro. E, se não aprenderem até pode ir o governo todo!!!

  3. Emerson Almeida diz:

    Resta ao povo local abrir os olhos e se Manifestarem continuamente , as iniciativas estão tomadas, agora é continuar e isso depende fundamentalmente das comunidades afectadas directamente pela Barragem, a esses devem se somar todo o Portugal em apoio, parar isso de vez, antes que a barragem pare a vida natural de varias comunidades. a região precisa é explorar o imenso potencial turístisco dessa região que é linda, isso sim gera renda e trabalho permanente as pessoas da terra.

  4. […] tudo um sonho mau. partilhar: Esta entrada foi publicada em ambiente, com as tags Assunção Cristas, é tudo […]

  5. […] oito dias passados junto a centenas de trabalhadores, explorados noite e dia e arriscando a vida – para destruir o seu próprio vale.  Dias em que a música de Sérgio […]

  6. […] EscravaTua « Acampamento ACTUA pelo TUA acampamentoactua.wordpress.com/…/escravatua/ 13 mar. 2012 – A barragem de Foz-Tua não é só um atentado brutal contra a natureza – é mais um trágico exemplo da escravatura dos tempos modernos. […]

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