BOMBOM é travar a barragem

Posted: Abril 12, 2012 in Uncategorized

acampámos, discutimos, planeámos coisas, cozinhámos, debatemos e engendrámos acções que levassem a voz do rio Tua para fora do vale. para os telejornais e até para o cavaco, que nos presenteou com uma visita involuntária ali ao lado, em Alijó. criámos planos e deixámo-nos regar de informação: porque afinal, não há só uma EDP e um rio Tua: há um Plano Nacional de Barragens, há um governo a precisar de injectar capital público em empresas, há uma União Europeia em esforço por manter o «bom aluno» e um povo anestesiado que custa acordar.

visitámos o laranjal do Ricardo, na Califórnia. em S. Mamede de Ribatua, descemos um vale imenso até ao barulho do rio e entrámos num numeroso laranjal, onde várias espécies de laranjeiras garantem vazão um ano inteiro. sentámo-nos com os pés na água naquele fundo mais fundo do vale, onde já só há chão, e vimos com os nossos olhos todos os socalcos de pedra, terra e árvore que ficarão submersos pela subida das águas, causada pela barragem.

são as melhores laranjas do mundo (a veracidade vem da razão, a verdade vem do coração) e parte delas vão desaparecer debaixo de água, ou ser cortadas, ou ter assim algum destino que custa imaginar. conversei com o Ricardo e pensámos em fazer rebuçados com aquelas laranjas, que pudéssemos distribuir como veículo para dar a conhecer a mensagem. se para mim foi detonador senti-las, vê-las e sabê-las («porque eu sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura»), então porque não falar com outras pessoas através das laranjas?

assim foi um longo processo de aprender a fazer rebuçados, em muitas experiências falhadas mas muita sabedoria acumulada sobre calda de açúcar. as laranjas da Califórnia que trouxe comigo transformaram-se em bombons. agora vão derreter-se nas bocas da malta… e não na barragem. (sandra coelho)

 

Viveu-se resistência no TUA

Posted: Abril 3, 2012 in Uncategorized

O Tua já foi acampado durante 10 dias no acampamento Actua pelo Tua.

Durante 10 dias viveu-se o TUA, partilharam-se experiências (entre quem vive ali e quem vive acolá), criaram-se redes de acção/informação/sociais sobre questões ambientais, sociais e políticas, foram várias as acções de protesto – a invasão do estaleiro com a mensagem “Nem mais uma barragem – Actua”; a plantação de um sobreiro, símbolo dos milhares que já foram cortados pelas obras, com a mensagem “Cresce, Resiste, Actua”, um “assentamento” de centena e meia de pessoas em frente ao principal estaleiro de construção da barragem. Houveram também projecções de filmes sobre despovoamento e caminhadas pelo vale prestes a ser destruido.

Foram vários os argumentos que se ouviram durante o acampamento-protesto contra a construção da barragem: afogamento de uma linha de comboio com 125 anos (linha do Tua) cuja função de transporte de bens e pessoas era essencial para a região e cuja manutenção teria um potencial muito maior para o seu desenvolvimento económico e social permanente; a insustentabilidade financeira da construção da barragem (hipoteca causada a três gerações futuras pela construção da barragem); a destruição dos ecossistemas de forma irreversível; a forte possibilidade da desclassificação do Alto Douro Vinhateiro como património da humanidade; a destruição de solos agrícolas e de culturas como a vinha; a deterioração da qualidade da água, tornando-a imprópria para as actividades humanas; o custo insustentável da produção de energia.

A EDP distribui dividendos pelos seus accionistas. A lógica da ganância capitalista torna os recursos naturais mercadorias e a sua exploração intensiva uma realidade no Vale do Tua. A destruição de ecossistemas leva também à rápida destruição das comunidades que deles vivem. No caso do Tua a EDP legitima a construção da barragem junto das populações com a chantagem da escassez de trabalho. Ainda as primeiras cartas estão na mesa e o bluff é já óbvio: Apenas 5 habitantes de Foz-Tua trabalham na barragem, cujos estaleiros estão equipados com cantinas, contribuindo pouco para a tal dinamização da economia local, mesmo nas fases mais intensas do trabalho. Um dia a obra acaba e o que sobrará vai ser um vale submergido por um espelho de água morta, mantido por meia duzia de funcionários especializados da EDP. Não nos sobram muitos rios, num território já cortado em fatias por dezenas de autoestradas. Até quando?

 

O  acampamento Actua pelo Tua colocou em prática os princípios de uma vida comunitária, partilhando recursos e experiências. Quem veio tomou parte do funcionamento do acampamento, resolvendo problemas e tomando decisões desde uma estrutura horizontal e auto-organizada. Havia um painel fotovoltaico cedido gentilmente pela FuturoAgora [http://www.futuragora.pt/] de modo a mostrar alternativas à forma centralizada de obtenção de energia. A esta forma de viver e resistir assistiram diariamente vários agentes da autoridade, presentes em número invulgar, ultrapassando em número os acampantes, perante o espanto de uma população pouco acostumada a tal presença polícial. Fardados ou à paisana, alguns confessaram-se até detractores da barragem, mas contra si mesmos representaram o Estado, defendendo as obras que diariamente destroem o Vale do Tua.

A resistência contra a construção da barragem foi também uma vivência: conviver diariamente com a construção da barragem no Tua, as suas explosões e o seu trabalho ininterrupto. Por outro lado conviver com um vale que ainda vive, laranjais e ribeiras que não queremos submersos. Para os que lá estiveram a vontade de parar a barragem não pode senão ter crescido, gerado ainda mais união e assim se fortalecer.

A construção destas barragens é um balão de oxigénio, pensado para manter a respirar lucros de grandes grupos económicos. Esta forma de enfrentar a crise demonstra perfeitamente que o que vivemos não é na realidade crise, mas o corrente funcionamento das coisas. De maquilhagem ‘ecológica’ destroem-se vorazmente ecossistemas e paisagens culturais, com a promessa de emprego e desenvolvimento, submergem-se recursos e afundam-se regiões no abandono. Resta-nos rebentar estes balões, um por um, de alfinete na mão, sabendo que o ar que contêm será um dia de todos.

Bruno, Mara e Marcos

 

Onde termina a natureza e começa a destruição. Plantação de um carvalho, pelas centenas de sobreiros e azinheiras já cortadas em prol da construção da barragem. Foz Tua, 17 de março de 2012

Crónica de uma semana no Actua

Posted: Março 30, 2012 in Uncategorized

Depois de dias e meses e anos de petições, protestos simbólicos, indignação no sofá e nos cafés, um grupo de pessoas decidiu levar até Foz-Tua a sua vontade de defender o vale do Tua e travar a barragem da EDP.

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ACTUA – Reportagem Web TV

Posted: Março 30, 2012 in Uncategorized

Aquele laranjal

Posted: Março 30, 2012 in Uncategorized

Ricardo Cruz

Foi há 29 anos que, provavelmente, ouvi falar pela primeira vez na barragem… Claro que em ’82, acabado de nascer, ainda não sabia o que era uma barragem!

Ainda mal sabia andar e já eu ia à Califórnia. A principio montado numa burra (e atenção, não era uma burra qualquer, era a burra do tio João – onde ela ia sozinha, poucas outras conseguiam lá chegar) e depois a pé percorri todos aqueles carreiros sinuosos que levam ao laranjal. Hoje em dia, é mais fácil. De 4×4 apenas se demora 20 minutos a chegar a este sítio esquecido.

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Rescaldo

Posted: Março 24, 2012 in Uncategorized

Reunimos aqui reflexões e opiniões sobre o acampamento. Envia também a tua para acampamentoactua@gmail.com

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